sábado, 20 de dezembro de 2014

Maritacas, o fio da meada nas cidades brasileiras


Elas voam em bandos, alimentam-se de sementes, corroem a fiação elétrica, promovem um ruído estridente, infernal, sem harmonia, são lindas, coloridas como uniforme de criança travessa.

Elas são as maritacas, Aratingas Leucophtalmas, que, fugindo do meio rural desmatado, procuram nas cidades comida, refugio, lugar para se ninhar e água limpa.

O casal construiu o ninho no fundinho do alto deste poste de iluminação urbana e todas as tardes, durante dois ou três meses, vai frequentar o local para alimentar o filhote.

Elas voam em bandos, promovem algazarras, como que para saudar a nova vida que nasce na cidade e na cidade permanecerá, procurando forros de residências para futuros ninhos, alterando o ambiente, gritando sua presença, ágil, elétrica. 

(As fotos foram batidas no dia 18 na cidade de Três Corações, mas poderiam ter sido feitas em qualquer cidade brasileira)



sexta-feira, 19 de dezembro de 2014

Rua Macau, finalmente asfaltada


A Prefeitura finalmente corrigiu um velho problema e está asfaltando partes da rua Macau, de apenas um quarteirão, no início do Coração de Jesus, e já com tráfego intenso depois da construção de novos prédios no alto do Mosteiro.

Os moradores agora querem uma fiscalização rigorosa contra o estacionamento irregular nos dois lados da rua, uma subida íngreme, que dificulta bastante a vida de todos especialmente quando chove.


As placas de estacionamento proibido estão lá, mas a falta de educação dos motoristas que frequentam as academias da rua Irai e salas comerciais na Gentios já provocaram alguns acidentes na pequena mas problemática rua.



quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

Ivan Arruda, o antiquário feliz


Ivan Arruda (foto) conduziu sua vida profissional na área jurídica e sempre teve um hobby que agora ele reluta em transformar em negócio.

Ivan gosta de antiguidades. Há anos vem comprando, diríamos que compulsivamente, peças e mais peças, móveis em estilos variados, lindos, todos em perfeito estado, muitos recuperados por especialistas.

Enquanto não cria seu antiquário, Ivan abarrota um galpão e sua própria cobertura de dois andares no São Lucas, sem perder, no entanto o bom gosto e sensibilidade para uma decoração esmerada.


Nas folgas de suas incursões de garimpagem, Ivan frequenta o Parque da Barragem e teima por que teima em que o projeto do novo parque tem que contemplar o lago com uma belíssima fonte d’água, poderosa e iluminada. Recado já enviado ao arquiteto Gustavo Penna.

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

A sociedade organizada deve se apropriar dos espaços públicos


Moradora do Sano Antônio, mãe de dois filhos já criados e avó orgulhosa de Ernesto, de 6 anos, a socióloga Marta Helena Riani (foto) começa a voltar ao Parque, que abandonou desde que a filha, Camila, presenciou atos de violência por aqui. Coisa, aliás, que, felizmente, já não faz mais parte do cotidiano dos usuários da pista.

Ao saber do Blog, da Associação dos Amigos do Parque da Barragem e dos projetos para o Novo Parque, ela se anima e se dispõe a participar: “nós temos de nos apropriar do espaço, e a frequência da comunidade é essencial para que isto aconteça”, ensina.

Marta, que morou durante dois anos na Austrália, relembra a Praia de Bondi (pronuncia-se Bon-dai), considerada a mais famosa do país, e uma das principais atrações turísticas de Sydney, onde as pessoas têm acesso por um enorme parque, super bem cuidado.

Atualmente trabalhando em uma ONG de Lagoa Santa, o Instituto Promover, a socióloga constata que está difícil firmar parcerias com o Poder Público, devido à corrupção generalizada que grassa pelo país, atingindo até pequenas prefeituras.

Por isto mesmo, defende que os projetos sociais devem ser implantados e se tornarem vitoriosos por meio da participação real da sociedade, criando processos de discussão que revelem o que pode ser feito e garantam o seu sucesso. 

“No Brasil, infelizmente, falta a mobilização da sociedade para promover mudanças”, lamenta, lembrando as recentes mobilizações populares na Bélgica, na Itália e na China, que ganharam as manchetes mundiais. (post Tetê Rios)

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

Paca, tatu, cotia, não. Carnes exóticas agora na Prudente


Os moradores dos bairros circunvizinhos ao Parque da Barragem Santa Lúcia têm agora, desde o início do mês, motivos para ficarem com água na boca.

O empresário Ricardo Almeida Bicalho (foto) instalou ali na esquina da Prudente de Morais com Mangabeiras, uma deliciosa casa de carnes nobres congeladas, Ao Gosto, especializada em produtos exóticos.

Ricardo enche a boca para dizer que oferece, com certificado do IBAMA, carnes de jacaré, javali, cordeiro, rã, marreco, pato, paca, tatu, leitoas, peru, tartaruga, queixada. Quer mais? Joelho de porco, queixada, coelho, avestruz e cabrito.

Ao Gosto é empresa familiar e sua unidade principal está na avenida Silviano Brandão. Ricardo traz agora, para a zona Sul, a tradição implantada por seu pai, seu José, na região Leste.


A casa oferece também carnes temperadas, tortas, massas e pratos prontos. Vale a pena conhecer, assim, depois de uma boa caminhada pela pista do parque da barragem.


segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Randolfo Paiva, a indicação segura para um bom filme


A Star Locadora de Vídeos está na praça José Cavallini há 22 anos oferecendo seus filmes, primeiro em fitas VHS, agora em DVDs e BluRays a seus milhares de cinéfilos espalhados pelo Luxemburgo, Vila Paris, Coração de Jesus e Cidade Jardim.

Randolfo Paiva (foto) mantém suas portas abertas, enfrentando a forte concorrência das nets, skys e netflix com um meio sorriso nos lábios e uma indicação precisa de algum bom filme, sejam lançamentos, clássicos, ou aqueles que a gente assistiu, gostou, não se lembrava, mas que merecem ser vistos novamente.

Randolfo tem cerca de 15 mil filmes ali na Star. E ele conhece a história de cada um, desde um campeão de aluguéis como Incêndios, de Denis Villeneuve, com 248 empréstimos até hoje, a até o Amante a Domicílio, com Woody Allen, que tem saído mais que pipoca em sessão da tarde.

domingo, 14 de dezembro de 2014

Maria Dolores, auditora: o trabalho escravo está em Venda Nova


Maria Dolores Brito Jardim (foto) mora na Avenida Guaicuí, no Luxemburgo, e é frequentadora assídua do Parque da Barragem, seja de bike, seja caminhando com sua poodle Tina, de 8 anos. Quanto dá tempo, chega a ir todos os dias.

Auditora fiscal do Ministério do Trabalho, ela faz parte do Gertraf, grupo especial de combate ao trabalho análogo ao trabalho escravo, muito mais comum do que se pensa no Brasil do Século XXI.

Também ao contrário do que se imagina, o escravo dos tempos modernos não lida na roça, onde os produtores rurais da atualidade na maioria das vezes respeitam a legislação trabalhista.

Não, eles estão aqui na cidade mesmo, especialmente nas capitais brasileiras, notadamente no Nordeste do país. 

São bolivianos e haitianos que, quase sempre, são explorados pelos próprios conterrâneos, que chegaram há mais tempo.

Em Belo Horizonte, eles se concentram principalmente na região de Venda Nova, onde trabalham ou na construção civil ou na indústria de confecções. Vivem em condições sub-humanas, dormem em caixotes, são confinados em verdadeiros cubículos.

“Vejo tanta coisa triste que preciso vir ao Parque para espairecer”, diz Dolores. 

Segundo ela, a força-tarefa integrada por funcionários da Polícia Federal, do Ministério Público e dos Ministérios do Trabalho e da Justiça já conseguiu resgatar, somente neste ano, 46 mil escravos urbanos. (post Tetê Rios)

sábado, 13 de dezembro de 2014

Maria Antônia, dona de casa, é preciso saber viver


Do alto dos seus 94 anos, dona Maria Antônia Pereira Ramos (foto) é, certamente, a frequentadora mais idosa da pista do Parque da Barragem. 

Poucos minutos de conversa com ela remetem à música de Roberto e Erasmo Carlos, “É preciso saber viver”.

Mineira de Passa Quatro, no Sul de Minas, ela se mudou há 60 anos para a capital, com o marido e os cinco filhos, justamente para que eles pudessem estudar.

“Todos têm diploma de curso superior”, conta, orgulhosa, ao falar dos filhos, quatro homens e uma mulher, alguns engenheiros, como o pai (que era agrônomo, funcionário do Ministério da Agricultura), outros advogados. 

Também se orgulha ao falar dos 18 netos e dos cinco bisnetos, que enchem a sua casa nos fins de semana.

Moradora do São Bento, ela faz questão de dar uma volta pela lagoa, todos os dias, guiada pela cuidadora Elizabeth da Silva Ribeiro.

Até hoje dona Antônia lamenta a morte do marido, com o qual ficou casada durante 40 anos. Vaidosa, não dispensa as joias para o passeio matinal: são anéis, alianças, brincos, colar, broche, tudo de muito bom gosto.

“Acho bom vir aqui, gosto de alegria, de gente por perto”, diz. Enfrentam alguns obstáculos nos poucos metros que separam seu apartamento do Parque, principalmente os buracos nos passeios, que chegam a travar a cadeira de rodas, segundo a cuidadora.

“Não posso me queixar da vida”, afirma dona Antônia, que vive aconselhando as netas a escolherem bem o futuro marido, lembrando de seu casamento feliz, ao mesmo tempo em que comemora a boa saúde física e mental, perto de celebrar um século de vida.