sábado, 25 de abril de 2015

O Parque, sombras e reflexos


O Parque da Barragem Santa Lúcia é usufruído por milhares de pessoas, todos com o objetivo de passar alguns minutos, horas agradáveis em caminhadas lúdicas.

Cada um o enxerga a seu modo peculiar. O fotógrafo que clica mil vezes a mesma cena de repente resolve colocar um novo olhar, brincar com as cores, mostrar as formas e variedades possíveis de a natureza se nos apresentar.


As duas fotos foram editadas de maneira simples. Mas vejam, o nosso parque tem outras faces.


Crise chegou forte também no turismo. José Maurício está preocupado


Vice-presidente da Abav (Associação Brasileira de Agentes de Viagem) nacional, José Maurício Miranda Gomes (foto) não é lá um grande adepto das caminhadas. Prefere jogar uma pelada. Mas, de vez em quando, arrisca um passeio aos domingos pela Avenida Prudente de Morais,  próximo de casa, para rever amigos e bater papo.

Foi lá que ele conversou com o Blog sobre o cenário nacional. O líder empresarial, proprietário da ABC Turismo, demonstra sua enorme preocupação com o setor turístico brasileiro na conjuntura atual.

Para ele, mais do que as flutuações do câmbio e a alta exagerada do dólar, é a incerteza sobre os rumos da economia que tem freado as viagens, fazendo antever um futuro incerto para o turismo no Brasil.

Maurício explica que a migração de turistas das viagens internacionais para as nacionais não compensou a queda geral. “O problema é que o turismo interno apresentou uma queda muito acentuada, que não foi compensada por esta migração”, explica.

Mesmo assim, o turismo interno continua em crescimento: dados do Ministério do Turismo, divulgados na semana passada, indicam que 70,9% das pessoas que pretendem viajar neste ano procuram por destinos nacionais.

Os motivos para isso, ainda de acordo com o órgão, são a alta do dólar, a visibilidade do país após a Copa do Mundo e o calendário favorável, com os feriadões de 1º de maio, 4 de junho, 7 de setembro, 12 de outubro e 2 de novembro que, juntos, devem movimentar R$ 18,66 bilhões em todo o país. Além da Semana Santa, Carnaval, Natal e Ano Novo, que por serem fixos, foram excluídos do cálculo.

Outro setor que vê as vendas despencarem é o turismo de negócios: segundo José Maurício, somente em BH esta área experimentou uma queda de 50%. “Nem a criatividade está salvando os negócios”, lamenta o líder classista. Na sua opinião, a solução passa pela recuperação da economia nacional, o que está longe de ser conquistado. (Post Tetê Rios)

sexta-feira, 24 de abril de 2015

Pet Shop, um negócio para latir e miar de felicidade

Paulo Dias, Michelle Dias e Michelle Lessa, da Madame Pet, negócio sem crise
Michelle Dias é administradora de empresas, trabalhava na iniciativa privada, mas sempre pensou em gerir o seu próprio negócio. No ano passado, deu o “pulo do gato”: depois de muita pesquisa, inaugurou, no Bairro Santo Antônio, a Madame Pet – estética, acessório e veterinária.

“A única coisa de que me arrependo é de não tomado esta decisão antes”, comemora, feliz. Michelle sempre teve cachorros, e diz que hoje faz o que gosta.

Com ampla clientela no bairro e nos arredores, Michelle tem uma veterinária fixa, sua xará, Michelle Lessa, que dá consultas e controla a vacinação. A clínica oferece ainda banho, tosa, rações, acessórios, brinquedos e um serviço de táxi dog, que busca e devolve cães e gatos nas casas, facilitando a vida dos fregueses.

A maior demanda na clínica, segundo a especialista, é a área de doenças de pele, como dermatites e alergias. Além, é claro, do banho e das tosas, indispensáveis à saúde dos pets.

O setor pet, aliás, vai de vento em popa no Brasil em plena crise. Os dados são indiscutíveis: o mercado mundial de animais de estimação movimenta US$ 98,4 bilhões por ano em todo o mundo.

Com uma população superior aos 100 milhões de animais de estimação, no Brasil o que não falta é demanda para que empresas do setor pet cresçam e apareçam. 

Dados da Associação Brasileira da Indústria de Produtos para Animais de Estimação (Abinpet), mostram que, no ano passado, o setor movimentou no país R$ 16 bilhões, alta de 8,2% ante o ano anterior.

O segmento de pet food (alimentação) lidera a lista de atividades que fazem parte deste universo, seguida pelo setor de serviços, cuidados com animais — que vão de equipamentos a acessórios e produtos para higiene. 

O setor veterinário também está entre os que puxam o crescimento deste mercado no país, considerado o segundo maior da indústria pet no mundo, atrás dos Estados Unidos e à frente do Reino Unido, França e Alemanha.

Do universo de empresas que atua no segmento, 33,5 mil são de pequenas e médias empresas, isso apenas no varejo de pet shops, segundo dados do Instituto Pet Brasil. Quem quiser conhecer a Madame Pet pode ligar para o 3293-4180. (Post Tetê Rios)

quinta-feira, 23 de abril de 2015

Lourdes vai ao parque mas não caminha, ela faz crochê para formar a filha


No próximo dia 27 de abril, comemora-se o Dia da Empregada Doméstica, aquela que nos dá condições de sairmos para batalhar o pão nosso de cada dia, nos ajuda a criar nossos filhos e, não raro, torna-se nossa grande amiga, agregando-se à família.

É assim a história de Lourdes Martins Figueiredo, que há 29 anos trabalha na mesma casa, no Bairro Santo Antônio. Quando começou, as duas filhas do casal eram pequenas, que viu crescerem, tornarem-se adultas, se casarem.

Neste meio tempo ela também teve uma filha, Rosimeire, hoje com 21 anos, estudante de Educação Física. Seu maior sonho é ver a filha se formando na Universo.

Como não conseguiu o Fies, ela se vira para pagar a faculdade: além do trabalho doméstico, faz faxinas aos sábados e feriados e, nas horas vagas, panos de prato para vender.

Moradora do Bairro Santa Mônica, atravessa a cidade todos os dias para trabalhar. Antes de pegar no batente, passa umas horinhas no que considera o seu ateliê: um banco do Parque, onde faz os bicos de crochês nos caprichados panos de prato.

Não lhe faltam encomendas: ali mesmo produz, ali mesmo comercializa toda a sua esmerada produção. Lourdes vai se aposentar no ano que vem e poderá usufruir dos novos direitos trabalhistas da classe, como o FGTS.

Segundo a Organização Internacional do Trabalho (OIT), o Brasil é o país que mais possui trabalhadores no setor doméstico. São nada menos de cerca de 7,2 milhões trabalhando em casas de família.  (Post Tetê Rios)

quarta-feira, 22 de abril de 2015

Os cães merecem, camas macias e todo conforto na hora de dormir


Simone Lacerda (foto) trabalhou durante muitos anos na operadora de telefonia Claro. Gostava do que fazia, mas seu sonho era ter o seu próprio negócio.

Dona de três cachorros, a ideia de tornar-se a própria patroa surgiu quando resolveu fazer uma caminha para cada um. Pronto, surgia mais uma empresária no mercado.

Largou o emprego, abriu a Mr. Dog, e tornou-se fabricante de camas para cachorros e gatos. 

Simone faz tudo: compra a matéria prima – tecidos, cetim, push – divulga a empresa, comercializa e entrega os produtos.

Em um ano, conquistou o sucesso: firmou várias parcerias com lojas de pet, vende no varejo e no atacado, vê a demanda pelos produtos crescer a cada dia. 

Ela é mais uma na cadeia de um setor que desconhece a palavra crise: o Brasil, quarto país em população animal do mundo, é o segundo colocado mundial no mercado pet, perdendo apenas para os Estados Unidos.

No domingo, estreou seus produtos na Avenida Prudente de Morais, durante ação de adoção de cães promovida pela Sociedade Protetora de Animais. 

As caminhas, que custam em média R$ 80 no mercado, estavam sendo vendidas por apenas R$ 20 para quem adotava um cãozinho.

Para Simone, além de ser dona do próprio nariz, de fazer os seus horários, um dos maiores motivos para ingressar no mercado pet é ter lucro somado ao prazer. 

É um setor apaixonante. Para quem curte animais, melhor ainda”, conclui.

Quem quiser comprar uma caminha para o seu pet pode ligar para Simone no telefone 3047-8152. (Post Tetê Rios)

terça-feira, 21 de abril de 2015

Maria dos Anjos esteve doente, recuperou a alegria e agora ajuda o próximo


A lavradora aposentada Maria dos Anjos Martins Alecrim (foto) é uma das pessoas mais populares do Parque da Barragem.

Comparece todas as manhãs. Vem a pé, do Beco Santa Inês, no Alto Santa Lúcia, onde mora há muitos anos. Na volta, pega um ônibus, “que ninguém é de ferro para aguentar o ladeirão”, brinca.

Nascida e criada em Malacacheta, no Vale do Jequitinhonha, Maria dos Anjos trabalhou na roça até se aposentar. Com muita gente da família morando em BH, veio pra cá e se adaptou à vida da cidade grande.

Começou a caminhar na pista há seis anos, por recomendação médica, por causa da hipertensão. Atualmente, com a saúde em forma, se limita a cultivar as amizades que fez por aqui. 

Nas quatro voltas pela Barragem  que completa com passos lentos, Maria dos Anjos vai contando que nunca se casou nem teve filhos, mas criou três sobrinhos, todos casados, com filhos que a consideram a avó.

Mora com uma irmã cadeirante, a quem ajuda no dia a dia. Albina, enxerga mal, e teve um câncer de pele que a obrigou a um enxerto no braço, mas não se abala: “passo protetor solar quatro vezes ao dia, e vou levando”.

Duas vezes por semana, está ela lá, de uniforme, praticando o Ling Gong, a ginástica que a cada dia ganha mais alunos no Parque da Barragem, com suas aulas gratuitas e a dedicação incondicional da coordenadora, a assistente social Maria Tereza Rodrigues, do Centro de Saúde Santa Lúcia, da Prefeitura de Belo Horizonte. 

As aulas acontecem todas as segundas e quartas-feiras, das 7h30 às 8h da manhã. (Post Tetê Rios)

segunda-feira, 20 de abril de 2015

Concertinas na Vila Paris, a busca da segurança a todo custo


Um dos poucos negócios em expansão no Brasil, a segurança pública cresce a taxas de 13 por cento ao ano, desde 2001, e agora, além das câmeras, acrescentou-se as concertinas para proteger prédios de assaltantes e vândalos, como os que frequentam a praça João Ivo de Azevedo, na Vila Paris.

A concertina é uma cerca cortante de formato espiral composta de lâminas de aço super afiadas. Sua utilização foi iniciada em ações militares. É a evolução do arame farpado e está sendo utilizada em residências, condomínios, construção civil, estabelecimentos comerciais, empresas, industrias, fabricas, prédios públicos, presídios e áreas restritas.

A praça João Ivo de Azevedo fica no final da rua Gonçalves Veloso com Iraí, ao lado do Posto de Saúde Tia Amância, e tem sido frequentada por adolescentes para consumir drogas e praticantes de Parkour, uma modalidade esportiva que consiste em ir de um ponto a outro o mais rápido possível. Seus praticantes são os traceurs. As mulheres são as traceuses.


Claudiano dos Santos (foto abaixo) instalou quase 100 metros de concertina no muro de um prédio que faz divisa com a praça. Ele trabalha em empresa especializada e disse que não faltam serviços, tal a procura por estas cercas perfurantes.


domingo, 19 de abril de 2015

Aluno que não repete o ano é igual a ensino sem qualidade


Sheila Gontijo (foto) é psicopedagoga e trabalha em uma escola da rede pública municipal, em Betim. Moradora do Santo Antônio, aproveita os finais de semana para caminhar com Bidu, o shitsu de um ano e meio que se diverte, correndo solto, livre da coleira.

Antes, ela curtia mais o Parque, nos fins de tarde, quando chegava do trabalho. Mas há uns quatro meses, seu marido foi assaltado no meio da tarde, quando descia as escadarias que ligam a Teixeira de Freitas à Prudente de Morais no Santo Antônio.

Foi agredido, bateu com as costas no meio fio, quase quebrou as costelas, teve de se submeter à fisioterapia, mas, felizmente, agora já está recuperado. 

A Polícia também agiu rápido, prendendo os assaltantes e recuperando um cordão de ouro e o celular que eles haviam levado.

Por isto, o casal restringiu as caminhadas para horários de maior movimento. Os dois também gostam dos domingos na Prudente de Morais, quando levam a filha para andar de patins nos quarteirões fechados.

Como psicopedagoga, Sheila diz que o chamado ciclo de formação humana, que instituiu o fim das “bombas” de estudantes, que não repetem mais o ano quando não têm bom desempenho, está acabando com a educação pública.

O ensino perdeu a qualidade. Os alunos não têm interesse em aprender porque sabem que vão passar de ano de qualquer forma. Além disso, desacatam e desrespeitam os professores. Não sei aonde vamos parar”, constata.

Segundo a profissional, os problemas vêm se agravando, e a solução, na sua opinião, está longe de ser alcançada: “Teríamos de voltar ao que era antigamente, mas isto é muito difícil de acontecer”. (Post Tetê Rios)